“COSPE TINTA” NO AIJ 2009
2 de fevereiro de 2009 por adrielson barbosa
Quem adentra o território do acampamento percebe que as paredes da entrada e dos banheiros receberam um colorido especial transcrito nas manifestações artísticas de um grupo de grafiteiros de Belém do Para. Os jovens bateram um papo conosco sobre a atividade por eles desenvolvida.
João Guilherme, belenense de 15 anos, mais conhecido como “Peste”, vê no FSM uma possibilidade para se discutir os problemas da Amazônia e a defesa de suas “teses” acerca da prática de grafit componente do universo Hip-hop, já que em muitos casos ainda é vista de maneira negativa pela sociedade que tende a confundi-la com pichação.
Grafitagem não é vandalismo! Para acabar com a confusão “Peste” na companhia de seu amigo “Bana” (Diego) esclareceram alguns pontos relevantes para diferenciar o grafit da pichação.
Na pichação os traços são simples, produzidos somente com spray, não é solicitada autorização, além da lógica negativa que envolve a dominação do território transcrita em atos violentos entre os adeptos a essa pratica. Um exemplo disso é a “queimação” (termo usado para designar a disputa pela demarcação nos lugares mais visados, ou seja, quem superar a pichação alheia em relação à altura e a periculosidade receberá a fama de “considerado” pelos outros).
Já na grafitagem há permissão para a execução dos trabalhos, no caso dos garotos, a coordenação do AIJ disponibilizou o seu credenciamento em troca do serviço prestado por eles. A complexidade dos trabalhos varia desde o tag (somente a letra), passando pelo free style (letra + desenho), bomb (letra pintada com tinta PVA), wild style (letra com formatos específicos, como as em estilo tribal, por exemplo) até alcançar o nível 3D (produção mais avançada, na qual as palavras são transcritas em três dimensões).
Segundo Guilherme entre os grafiteiros existem várias equipes, conhecias por crews (gíria da língua inglesa para denotar pejorativamente um grupo ou gang, no entanto o jovem ressalta que não deve ser considerado o aspecto negativo da palavra), o “COSPE TINTA”, do qual ele e seus amigos participam CONEXÃO VISUAL, PB, entre outros. Em relação à disputa existente, o jovem afirma que apesar disso ela é não chega a se assemelhar as de gangues.
Em relação a sua experiência, Peste já havia tido um contato mais acentuado com a violência, porém seu modo de viver passou a ser outro graças à grafitagem.
No decorrer desse bate-pato os garotos ressaltam a importância do patrocínio para continuação de sua arte, já que todo o material é comprado por eles. Imaginemos agora quantos jovens possuem um infinito potencial artístico, mas encontram na falta de recursos uma das principais barreiras.
Vamos patrocinar?
Vamos dar condições para que muitos mais jovens tenham a oportunidade de praticar a grafitagem!
Se você é dono de uma loja de tintas, possui um muro em branco, ou simplesmente vota, como eu e grande parte da população, pode apoiar os diversos grupos de grafiteiros.
É ISSO AÍ GALERA DO AIJ!!!


